Sou Quinta-Feira
"Who are you? You are not Sunday;" and another anarchist added in a heavier voice, "And you are not Thursday." Chapter III, The Man Who Was Thursday , G.K. Chesterton. We do not belong to the inner ring (supreme guilty section), nor to the outer ring (the useful idiots). We belong to Orthodoxy.
quarta-feira, 26 de janeiro de 2011
terça-feira, 25 de janeiro de 2011
Matilda - incompleto
Matilda grandes mentiras contava,
Que um suspirar, e um esbugalhar obrava;
Sua tia, que, desde sua tenra infância,
À verdade mantinha real instância,
Arriscou-se em Matilda acreditar:
A tentativa quase que a matou;
E assim o teria feito, se ela não
Houvesse tal vício antes descoberto.
Uma vez, sendo próximo o fim do dia,
Matilda, da brincadeira partia,
E percebendo que estava sozinha,
Ao telefone ligar foi, quietinha,
Chamar o pronto socorro bendito,
Pelo corpo de Bombeiros londrino.
Em uma hora a companhia imponente
Vinha de todos os lados em mente,
De Putney, Hackney Downs, e até de Bow.
Com Coragem e corações em voo,
A galope, na cidade a aiar:
“A casa da Matilda está a queimar!”
Estou com preguiça de terminar. Provavelmente haja alguns erros, mas depois eu completo. Digam o que acham. Tradução de Hilaire Belloc.
Father Brown (1954)
terça-feira, 21 de dezembro de 2010
Amor como causa formal da justificação, II
Afirma-se que o homem desde a Queda tem se colocado sob uma enorme carência, na qual todas as outras carências estão incluídas, a qual se suprimida, todas as bênçãos estão seguras; e as quais, de modo que ele entendia seu verdadeiro estado, sempre as desejou, em vão lutando para obtê-las. Ele é por natureza nascido no pecado, e, consequentemente, filho do castigo; e ele necessita renascer para retidão, de modo que ele possa se tornar filho de Deus. Ele necessita que se destrua o velho Adão, o velho corpo da morte original, e, por meio disso, a restauração para a luz da face de Deus. O que o fez odioso perante a Pureza Infinita, o que o expôs à morte eterna é a desobediência; retire a desobediência, e lhe será retirada a culpa, o perigo, a miséria, tudo aquilo que demanda ser retirado; e na medida em que lhe retira um, retira-lhe outro. Eis a nossa dificuldade; não meramente o sentimento de culpa, ou culpa em si mesma, mas aquilo que é causa de culpa e sentimento de culpa, conjuntamente. O homem tornou-se culpado ao se tornar pecador; não se tornará inocente, a não ser que se torne santo. Deus não pode, por sua própria Natureza, olhar com prazer e boa vontade uma criatura ímpia, ou justificar ou considerar como reto aquele que não é. Pureza de coração e espírito, obediência à palavra e às boas ações, somente isso pode ser aceitável a Deus; e isso, e somente isso pode constituir nossa justificação. É certo que não podemos obtê-la por nós mesmo; mas, se é para ser nosso, deve vir somente de Deus. Nós precisamos tão-somente da capacidade de satisfazer a Deus, ou ser reto; e isso é dom de Deus. Como seu dom, bons homens sempre o procuraram; como seu dom, foi-nos prometido sob a Lei; e como seu dom, foi obtido pelos convertidos ao Evangelho.
Até que o Evangelho viesse, com todos os seus dons da graça, havia contrariedade e inimizade entre a Lei Divina e o coração do homem; confrontavam-se, aquele, toda a luz, este, toda a corrupção. Corriam paralelamente, não se convergiam; a Lei detectando, condenando, aterrorizando, afetando somente para o pior; o coração humano secretamente sujeitando-se, mas não amando, não obedecendo. Consequentemente não podíamos agradar a Deus pelo que nós fizemos, pois éramos iníquos; por retidão se entende tanto obediência como ser aceitável. Nós precisávamos, portanto, uma justificação, ou fazer-nos retos; e isso pode nos ser concedido de duas maneiras: fazendo que nosso Criador nos dispense da obediência que a Lei requer, ou permitindo-nos cumpri-la. Em ambos, mas não de forma concebível, poderia nosso estado moral, cuja natureza é desagradável, tornar-se agradável a Deus, nossa concupiscência tornar-se retidão. De acordo com a doutrina que desejo expor, o remédio reside na última alternativa; não diminuindo a Lei, nem a abolindo, mas trazendo nossos corações a ela; preservando, trazendo o seu padrão e remodelando-os, em grande harmonia. Como as considerações do passado não podem ser literalmente desfeitas, uma dispensa ou perdão é tudo que nos pode ser dado; mas para o presente e o futuro, se um dom pode nos ser concedido, e se nós podemos antecipar o que deve ser, é por isso que devemos rezar – não para ter a Divina Lei removida, não para meramente nos obrigar a fazer o que não fazemos, não uma alteração nominal, mas para uma profunda entrada no nosso coração e espírito, juntas e medula, permeando-nos com verdadeira eficácia, e nos cobrindo inteiramente com sua completude; não uma alteração na abordagem de Deus para com nós, como uma pálida e descolorida alvorada de um dia de inverno, mas (se pudermos procurá-la) a posse Dele, de sua Graça substancial, para nos tocar e nos curar das raízes do mal, da fonte de nossa miséria, nosso coração amargo e sua corrupção inata. Como nós podemos conceber a benção de Deus como aquilo que é sagrado, todas as nossas noções de benção centram-se na santidade como fundação necessária. Santidade é a coisa, o estado interno, pela qual a bênção nos é recebida. Ele pode nos abençoar, pode nos amaldiçoar, de acordo com sua Misericórdia ou de acordo com nossos desertos; mas se Ele nos abençoa, com certeza isso se dá ao nos fazer santos; se Ele nos reputa retidão, é por nos fazer retos; se Ele nos justifica, é por renovação; se Ele nos reconcilia a si, tal não se dará pela aniquilação da Lei, mas por criar em nós novas vontades e novos poderes para sua observância.
Tradução feita por mim (provavelmente com os defeitos do amadorismo). A motivação da tradução foi por meio de uma discussão sobre justificação e graça que tive com a minha amiga Fernanda.
Da obra Lectures on the Doctrine of Justification, Lecture 2, II.
Beato Cardeal João Henrique Newman
segunda-feira, 20 de dezembro de 2010
The Lantern
terça-feira, 14 de dezembro de 2010
A referência a Deus

A vida é permeada por fatos, uns que são neutros, outros que nos entristecem e outros que nos alegram. Sabemos que é assim, e é evidente. Mas por que quando os dias tristes chegam, as aflições chegam, recorremos a Deus, e quando estamos felizes, muitas vezes esquecemos que todo o bem procede Dele? Muitos dizem que essa é uma das razões para nosso sofrimento: para que o sofrimento traga a lembrança de que todo o bem procede de Deus, e somente de Deus. Mas não se trata apenas disso. Devemos sempre nos referir a Deus para:
domingo, 12 de dezembro de 2010
Dooyeweerd e erística

Fico surpreso às vezes por eu, sendo um católico fiel (tento ser, melhor dizendo), ter um bom repertório de leituras protestantes. Ao invés de fazer como alguns "tradicionalistas", eu trato de buscar nos livros de não-católicos cristãos, que possuem erros (muitas vezes escandalosos), informações enriquecedoras. A minha maior surpresa foi o filósofo, cujo cabelo lambido aparece agora na foto. Dooyeweerd, holandês, calvinista.
Esse filósofo, ostracizado pelo âmbito acadêmico, não só no Brasil, mas no mundo inteiro, possui uma teoria epistemológica que alguns poderiam chamar de maluca inicialmente, mas que depois de lida e considerada, é revolucionária. Ele diz que nossa razão inicia o ato de teorização em motivos suprateóricos, que não estão nem na realidade, nem nos produtos teóricos. Esses motivos, de caráter existencial, são chamados de "motivos religiosos fundamentais", e tratam de captar a realidade (que, quando pré-teórica, apresenta-se por modos de experiência, intrinsicamente conectados uns aos outros, irredutíveis), direcionando toda a teorização. O motivo humanístico é o dialético natureza-liberdade (ou mais bem, igualdade-liberdade), e é o que rege nosso mundo moderno. Nisso ele nega o dogma da liberdade da razão, para o escândalo dos racionalistas.
O complicado do filósofo é que de fato se entende o que diz, mas é difícil concordar, pois queremos, instintivamente, imaginar-nos livres, de cabeça aberta. Esse senhor diz o contrário: quem tem cabeça aberta percebe que tem cabeça fechada. E pior: quem não tem o motivo religioso fundamental bíblico (criação-queda-redenção), não possui estabilidade teórica, e ficará flutuando no liberdade-natureza, como se estivesse à deriva, indo uma hora para "natureza", outrora para "liberdade", absolutizando cada aspecto, numa eterna dialética.
A mais curiosa parte dessa filosofia é que ela pode permitir belas fugas/vitórias prévias em conversas, principalmente com aquelas pessoas que querem refutar toda sua ortodoxia pela sua religião. Ou seja, chatos moderninhos/istas.
- Ora, diz ele, você só é a favor/contra essas coisas por causa da sua religião!
- E você só por causa do seu motivo religioso fundamental!
- Huh?
- Estude Dooyeweerd.
Obviamente ela nega que todos os motivos religiosos fundamentais tenham a mesma validade. A filosofia de Dooyeweerd pode ser uma violenta ferramenta erística, de forma mais ou menos similiar como aqui foi apresentado. O risco de nos tornarmos "bad-asses" é grande, e devemos ser bem vigiados. Mesmo que tenhamos bons argumentos, deve-se compreender que a defesa da ortodoxia deve sempre ser pautada naquilo que ela tem de mais magnífico: a sua correspondência com a realidade, e, portanto, com a verdade. Apelar para o motivo religioso fundamental pode se tornar um sofisma bem forte, se mal colocado. Evitar a erística é eminentemente necessário.